Allegro ma non troppo é um refúgio onde o pensamento dança com a vertigem da vida. Inspirado pelo termo musical que sugere movimento contido, quase como quem avança com feridas por sarar, este espaço não promete respostas, apenas ressonâncias. É um convite a escutar o mundo pelo lado de dentro, onde o ritmo se faz de silêncios entrecortados e gestos que doem.
Aqui, as ideias não se ordenam, colapsam. Oscilam entre o peso e a leveza, o grotesco e o sublime, onde a existência é uma pauta desarranjada à procura de sentido entre as falhas. Não há redenção a nada, apenas a contemplação crua: objectos com carga simbólica, banalidades que sangram significado, filosofias íntimas embrenhadas no quotidiano, e uma ou outra melodia que ressurge das ruínas.
Este não é um lugar para quem quer respostas rápidas. É um interlúdio para os que carregam o cansaço nos ossos mas insistem em escutar. Um espaço para mentes inquietas que aprenderam a respirar dentro do caos, onde cada palavra tenta manter o compasso mesmo quando o mundo desafina.
D.
P.S. Escrevo no antigo acordo ortográfico porque amputar consoantes nunca me pareceu um acto de progresso - só de empobrecimento estético. Quanto à pontuação, abuso das vírgulas como quem hesita em respirar, compondo frases longas demais para a pressa do mundo. Os pontos finais existem, mas não são para mim - prefiro a deriva. Considera isto um desvio estilístico, ou então, uma pequena insubordinação contra a gramática do esquecimento.

