Para mim faria parte de qualquer coluna editorial de grandes jornais.
Dou destaque a estas duas linhas, que, em minha opinião representam a cem por cento, tudo aquilo que ouvimos ou lemos nos vários canais.
"A ideia de que o valor das coisas reside fundamentalmente na sua utilidade. O que importa não é aquilo que uma coisa é, mas aquilo que pode produzir, gerar, render ou servir."
Este texto está INCRÍVEL! Acrescentaria apenas que o que nós achamos que fazemos e o que fazemos de facto, perante situações extremas, dão polos bastante distintos. Porque, no final do dia, somos animais a tentar sobreviver. A maioria das pessoas que ficam indignadas não tentariam salvar nem a criança nem o cão; iam-se pôr (passo a expressão) nas putas dali para fora para salvar a própria pele. Estão-se a ofender com cenários hipotéticos em que nem eles próprios conseguiriam prever as suas ações.
Bravo. Esta sim, uma crónica digna de um jornal como o Expresso.
É lamentável que um tema sem tem passe das caixas de comentários de redes sociais (cuja elevação intelectual tão bem conhecemos) e, levando consigo a premissa simplista de origem, acabe numa crónica insuficiente para quem lê com olhos de pensar.
Certeira como sempre, Diana! Confesso que comecei a escrever um texto de resposta a esse artigo em específico, mas ainda bem que não o fiz, porque me revejo a 100% nestas palavras e nunca conseguiria ser tão clara e eloquente.
Como ficou tão bem explicado, a preguiça fica particularmente evidente na pobreza de alguns argumentos. Quer dizer, quem salva um animal de estimação em detrimento de um desconhecido é egoísta, porque coloca as suas dores à frente das dores do outro (citando a autora, "EU amo o MEU cão, EU sofro com o MEU cão, EU valorizo o MEU cão; que a TUA família seja destruída à-vontade, que essa dor não será MINHA"). Mas alguém que salva um filho seu em detrimento do filho de outro já não é egoísta: aí já é resposta ao instinto de preservação da espécie (e aí já seria patetice falar em egoísmo, pois claro. Que conveniente). E quantos pais e mães há por esse mundo fora que, efetivamente, NÃO amam os seus filhos e não são sequer dignos de serem apelidados de progenitores?
Termino a dizer que partilho a frustração, porque também não esperava encontrar conteúdo assim num jornal como o Expresso (e, infelizmente, começa a acontecer com mais frequência encontrar certas opiniões que parecem mais preocupadas em provocar uma reação do que em fazer pensar).
Rita, obrigada pelas palavras! Há tanto para dizer sobre as contradições, os pressupostos e os vazios daquele texto que, sinceramente, teria de escrever outro ensaio com o dobro do tamanho para explorar tudo o que ficou por dizer. Obrigada por partilhares o teu lado sobre o texto. Que esta caixa de comentários sirva sempre para isso. Ainda o deixei repousar durante alguns dias antes de publicar, mas fico contente por o ter feito. Já várias pessoas me disseram que sentiram vontade de escrever algo sobre o assunto, mas que lhes faltou tempo, energia ou simplesmente paciência para entrar na discussão. Talvez por isso tenha valido a pena.
Deixa-me satisfeita que continue a existir uma comunidade de pessoas dispostas a questionar, a pensar e a não aceitar argumentos frágeis e absurdos. Este pequeno canto do Substack continua a dar-me alguma esperança. Não necessariamente na humanidade inteira, isso seria optimismo a mais para o meu feitio, mas pelo menos na existência de pessoas com curiosidade intelectual, espírito crítico e vontade de discutir ideias para lá dos reflexos automáticos das redes sociais. Obrigada e partilha sempre o que pensas. Nunca são demais as vozes com espírito crítico 🖤
Que belíssimo texto! Excelente!
Para mim faria parte de qualquer coluna editorial de grandes jornais.
Dou destaque a estas duas linhas, que, em minha opinião representam a cem por cento, tudo aquilo que ouvimos ou lemos nos vários canais.
"A ideia de que o valor das coisas reside fundamentalmente na sua utilidade. O que importa não é aquilo que uma coisa é, mas aquilo que pode produzir, gerar, render ou servir."
Pura, ideia neoliberal.
Este texto está INCRÍVEL! Acrescentaria apenas que o que nós achamos que fazemos e o que fazemos de facto, perante situações extremas, dão polos bastante distintos. Porque, no final do dia, somos animais a tentar sobreviver. A maioria das pessoas que ficam indignadas não tentariam salvar nem a criança nem o cão; iam-se pôr (passo a expressão) nas putas dali para fora para salvar a própria pele. Estão-se a ofender com cenários hipotéticos em que nem eles próprios conseguiriam prever as suas ações.
Bom acrescento, Rafaela :) 🖤
Bravo. Esta sim, uma crónica digna de um jornal como o Expresso.
É lamentável que um tema sem tem passe das caixas de comentários de redes sociais (cuja elevação intelectual tão bem conhecemos) e, levando consigo a premissa simplista de origem, acabe numa crónica insuficiente para quem lê com olhos de pensar.
“Ler com olhos de pensar” é a coisa mais bonita que li hoje 🖤 obrigada, querida Cátia.
Certeira como sempre, Diana! Confesso que comecei a escrever um texto de resposta a esse artigo em específico, mas ainda bem que não o fiz, porque me revejo a 100% nestas palavras e nunca conseguiria ser tão clara e eloquente.
Como ficou tão bem explicado, a preguiça fica particularmente evidente na pobreza de alguns argumentos. Quer dizer, quem salva um animal de estimação em detrimento de um desconhecido é egoísta, porque coloca as suas dores à frente das dores do outro (citando a autora, "EU amo o MEU cão, EU sofro com o MEU cão, EU valorizo o MEU cão; que a TUA família seja destruída à-vontade, que essa dor não será MINHA"). Mas alguém que salva um filho seu em detrimento do filho de outro já não é egoísta: aí já é resposta ao instinto de preservação da espécie (e aí já seria patetice falar em egoísmo, pois claro. Que conveniente). E quantos pais e mães há por esse mundo fora que, efetivamente, NÃO amam os seus filhos e não são sequer dignos de serem apelidados de progenitores?
Termino a dizer que partilho a frustração, porque também não esperava encontrar conteúdo assim num jornal como o Expresso (e, infelizmente, começa a acontecer com mais frequência encontrar certas opiniões que parecem mais preocupadas em provocar uma reação do que em fazer pensar).
Rita, obrigada pelas palavras! Há tanto para dizer sobre as contradições, os pressupostos e os vazios daquele texto que, sinceramente, teria de escrever outro ensaio com o dobro do tamanho para explorar tudo o que ficou por dizer. Obrigada por partilhares o teu lado sobre o texto. Que esta caixa de comentários sirva sempre para isso. Ainda o deixei repousar durante alguns dias antes de publicar, mas fico contente por o ter feito. Já várias pessoas me disseram que sentiram vontade de escrever algo sobre o assunto, mas que lhes faltou tempo, energia ou simplesmente paciência para entrar na discussão. Talvez por isso tenha valido a pena.
Deixa-me satisfeita que continue a existir uma comunidade de pessoas dispostas a questionar, a pensar e a não aceitar argumentos frágeis e absurdos. Este pequeno canto do Substack continua a dar-me alguma esperança. Não necessariamente na humanidade inteira, isso seria optimismo a mais para o meu feitio, mas pelo menos na existência de pessoas com curiosidade intelectual, espírito crítico e vontade de discutir ideias para lá dos reflexos automáticos das redes sociais. Obrigada e partilha sempre o que pensas. Nunca são demais as vozes com espírito crítico 🖤
Bravo, bravíssimo! Fantástica análise. Os meus sinceros parabéns.
Obrigada por leres, Carlos :)